Trump anuncia escalonamento de tarifas sobre medicamentos genéricos a partir de 2028
O presidente dos EUA anunciou uma política tarifária que isentará medicamentos genéricos por dois anos, mas elevará a alíquota para 100% em agosto de 2028 e depois para 200%, buscando repatriar a produção farmacêutica ao país.
Donald Trump divulgou na terça-feira (21) uma nova estratégia tarifária que atingirá medicamentos genéricos disponibilizados nos Estados Unidos, reforçando sua iniciativa de relocar a produção industrial para solo americano. A medida faz parte de um conjunto mais amplo de pressões sobre companhias multinacionais para estabelecerem operações fabris dentro do território nacional.
De acordo com o presidente, remédios sem patente ou marca usufruirão de tarifa zero durante dois anos. No entanto, em agosto de 2028, essa alíquota passará para 100% por um período de doze meses, seguindo-se a elevação para 200% nos anos subsequentes. Trump justificou a iniciativa afirmando que ela busca "REPATRIAR a Produção Farmacêutica de Genéricos para a América, com uma penalidade para as Empresas que decidirem não construir Fábricas e Equipamentos dentro do prazo estabelecido", conforme comunicado na plataforma Truth Social.
Os genéricos ocupam posição preponderante no mercado farmacêutico americano, representando 90% das prescrições dispensadas, conforme a FDA. A agência reguladora estima que aproximadamente 70% desses medicamentos têm origem internacional, o que justificaria a tentativa do governo de atrair produção doméstica.
A abordagem atual diverge da política tarifária anterior. No início do ano, a Casa Branca anunciou alíquotas de até 100% sobre medicamentos de marca e patenteados, mas manteve os genéricos isentos e ofereceu exceções significativas para empresas e nações específicas. Países que firmaram acordos comerciais com Washington, como Suíça, Japão, União Europeia e Coreia do Sul, recebem tarifas reduzidas de 15%. O Reino Unido beneficia-se de tarifa zero sobre suas exportações durante três anos, segundo um acordo que envolve precificação de medicamentos e investimentos britânicos.
Empresas como Pfizer, AstraZeneca e Novo Nordisk já celebraram acordos com o governo Trump, comprometendo-se a expandir investimentos nos EUA e reduzir preços em troca da suspensão tarifária. Companhias que planejam ampliar sua capacidade produtiva no país podem solicitar ao Departamento de Comércio um período de quatro anos com tarifa reduzida de 20%. Trump reafirmou que sua estratégia tarifária para medicamentos patenteados permanecerá inalterada.
A Association for Accessible Medicines, que representa fabricantes de genéricos, manifestou estar buscando compreender "os detalhes específicos da política". John Murphy, diretor-executivo da associação, declarou que "a indústria de genéricos está comprometida em buscar políticas que apoiem e estabilizem tanto o setor quanto o acesso necessário para garantir que os pacientes tenham opções confiáveis de medicamentos acessíveis".
