Escalada de ataques entre EUA e Irã deixa militares norte-americanos mortos
Os Estados Unidos completaram oitava noite consecutiva de operações aéreas contra instalações iranianas após morte de dois militares na Jordânia, enquanto o Irã responde com ataques contra bases americanas no Golfo Pérsico. A deterioração do cessar-fogo provisório aprofunda tensões na região.
A situação no Oriente Médio intensificou-se neste fim de semana com a retomada de operações militares dos Estados Unidos contra o Irã. Segundo informações do Comando Central norte-americano, a oitava noite de bombardeios foi concluída após dois soldados americanos serem mortos em ataque iraniano ocorrido na Jordânia. O episódio levou à escalada das hostilidades, com aliados dos EUA na região reportando novos ataques iranianos no domingo.
O colapso do acordo de cessar-fogo, vigente por apenas um mês, marcou o ponto de inflexão para o agravamento do conflito. Paralelamente, a disputa pela hegemonia no Estreito de Ormuz ganhou contornos mais perigosos, aumentando significativamente as perspectivas de uma retomada das operações militares em larga escala entre as potências.
As operações aéreas norte-americanas, iniciadas na noite de sábado, concentraram-se em enfraquecer a capacidade ofensiva iraniana no Estreito de Ormuz e em punir unidades da Guarda Revolucionária Islâmica responsáveis pelos ataques contra soldados americanos. O Comando Central confirmou ter atingido instalações de vigilância costeira e sistemas de defesa aérea iranianos. Segundo autoridades israelenses, Israel se prepara para receber reforços em aeronaves de reabastecimento dos Estados Unidos, em preparação para possível expansão das operações.
O conflito que eclodiu em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram bombardeios visando neutralizar os programas nuclear e de mísseis iranianos, já deixou um saldo considerável de vítimas e danos econômicos. O Comando Central informou que, além dos dois militares mortos na sexta-feira, um terceiro permanece desaparecido. No total, 16 soldados americanos foram mortos desde o início da guerra, com mais de 420 feridos. O conflito também causou grandes perturbações no setor energético global e gerou temores inflacionários.
As retaliações iranianas ocorreram simultaneamente em múltiplas frentes. Ataques com drones foram direcionados contra a Base de Al-Adiri e a Base Aérea Ali Al Salem, ambas no Kuweit. Informações iranianas apontam bombardeios americanos próximos a Sirik, no sul do país, e nas proximidades de Shadegan, junto à fronteira iraquiana. A Organização de Energia Atômica do Irã condenou ataque à usina nuclear em construção em Darkhovin, enquanto a Agência Internacional de Energia Atômica declarou estar investigando os relatos sobre o incidente.
A intensidade dos ataques iranianos afetou diversos aliados americanos na região. Uma usina de dessalinização no Kuweit foi atingida pelo segundo dia consecutivo, provocando incêndio. As defesas aéreas do Kuweit e do Barein interceptaram mísseis iranianos, enquanto a Jordânia relatou ter derrubado três projéteis. Israel, por sua vez, detectou lançamento de mísseis iranianos em direção a Aqaba, cidade jordaniana na fronteira israelense. Essas respostas iranianas deixam clara a determinação de Teerã em ampliar o escopo geográfico de sua retaliação aos aliados americanos no Golfo Pérsico.
