Copa do Mundo nos EUA deixa legado financeiro recorde, mas com impacto turístico limitado
A final entre Argentina e Espanha em Nova Jersey encerra um torneio que gerou bilhões em movimentação econômica, embora a ocupação hoteleira tenha crescido modestamente e os ingressos continuem entre os mais caros da história.
Argentina e Espanha protagonizarão neste domingo a decisão da Copa do Mundo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, diante de 80 mil espectadores e líderes mundiais como o presidente dos EUA Donald Trump, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum. O evento marca o encerramento de um torneio que se consolidou como referência em retornos econômicos para a região, superando receios iniciais sobre custos de ingressos e capacidade de infraestrutura.
A celebração extrapolará o estádio. Outras 50 mil pessoas assistirão gratuitamente em telões no Great Lawn do Central Park, enquanto Nova York promove mais de 100 transmissões públicas sem custo em seus cinco distritos. A FIFA complementará o espetáculo com uma cerimônia de encerramento estrelada e um intervalo inédito em finais de Copa com Madonna, Shakira, Justin Bieber e BTS.
Os números econômicos impressionam. Somente a fase de grupos gerou US$ 1,2 bilhão em impacto econômico direto, segundo Alex Lasry, diretor-executivo do comitê organizador. O Bank of America estimou que o torneio movimentou cerca de US$ 40 bilhões em atividade econômica geral, sendo US$ 20 bilhões especificamente nos Estados Unidos. O transporte foi um exemplo: o serviço de ônibus para o estádio vendeu 69,179 passagens a US$ 20 cada, gerando US$ 1,4 milhão apenas neste segmento.
A receita com alimentação e bebidas atingiu patamares recordes. O jogo entre Brasil e Marrocos registrou a maior arrecadação nessa categoria já contabilizada desde o Super Bowl de 2014, refletindo o poder de consumo dos 400 mil espectadores que lotaram cinco partidas consecutivas no MetLife Stadium.
A comercialização atingiu níveis inusitados. A FIFA começou a vender pedaços do gramado preservados em resina a partir de US$ 450, com pacotes premium incluindo réplica do troféu em vidro lapidado por US$ 3 mil. A iniciativa enfrentou críticas de políticos locais, como o deputado estadual de Nova Jersey Michael Inganamort, que pediu que a FIFA "tirasse as mãos do gramado".
O mercado de revenda de ingressos mostrou elasticidade. Entre 8 de julho e a final, o preço mínimo caiu 33%, enquanto a disponibilidade de entradas aumentou 65%, segundo dados do Ticket-Compare.com. Apesar da queda, os assentos mais acessíveis custavam entre US$ 5 mil e US$ 7,5 mil, com preço médio em torno de US$ 12,5 mil—substancialmente acima da média de revenda do Super Bowl, que varia entre US$ 6 mil e US$ 10 mil.
O turismo, contudo, apresentou crescimento contido. A ocupação hoteleira em Nova York subiu apenas 3% durante o jogo Brasil versus Marrocos, voltando a níveis inferiores ao ano anterior nos demais dias de competição. Porém, as tarifas diárias médias e a receita por quarto disponível cresceram cerca de 30% nos dias com partidas no MetLife Stadium, indicando que hospedagens aumentaram preços sem necessariamente ampliar volume de hóspedes.
