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Brasil prefere cautela diplomática diante de tarifa americana de 25%

O governo Lula evita retaliação imediata à nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros que entra em vigor nesta quarta-feira, adotando uma estratégia de negociação sem radicalismo para não oferecer munição política a Trump e aliados de direita.

Redação IA22 de julho de 2026 às 03:00 · Atualizado há 8 dias
Brasil prefere cautela diplomática diante de tarifa americana de 25%
Imagem: G1

A tributação adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros de exportação começa a viger nesta quarta-feira (22) sem que a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha respondido com ações práticas até o momento. Embora o Palácio do Planalto tenha divulgado uma declaração qualificando a decisão como um 'marco lastimável' e anunciando intenção de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, nenhuma medida concreta foi implementada.

Segundo divulgado pelo blog do Valdo Cruz, a orientação do próprio Lula é evitar uma postura agressiva, focando em expandir a relação de itens isentos da nova tarifa e manter negociações sem confrontação direta. O vice-presidente Geraldo Alckmin, em entrevista na semana anterior, mencionou que a lei seria acionada 'no momento adequado', mas não apresentou detalhes sobre quais seriam as ações imediatas.

Na visão de colaboradores presidenciais, uma resposta retaliadora é exatamente aquilo que Trump e o senador Flávio Bolsonaro desejam presenciar. Com isso, poderiam alegar que o presidente prioriza suas ambições políticas em detrimento dos interesses das empresas nacionais. Empresários dos setores impactados, como o de máquinas agrícolas, reforçaram essa posição ao defenderem durante reuniões de terça-feira (21) que a solução seja buscada por canais diplomáticos e comerciais, não por represálias.

A tarifa deixa de lado diversos produtos — petróleo, café e carne bovina estão isentos —, mas prejudica setores como o de etanol, máquinas agrícolas e papel. Welber Barral, ex-secretário do Comércio Exterior, esclarece que a Lei da Reciprocidade envolve múltiplas etapas: passagem pela Câmara de Comércio Exterior, consulta pública, negociações com os próprios EUA. 'Não é algo imediato', afirma.

Um temor central é o reflexo sobre os preços pagos pelo consumidor brasileiro. Se o governo optar por sobretaxar produtos americanos, as importações de bens dos EUA ficarem mais caras, e esses custos tendem a ser repassados ao consumidor final. Jackson Campos, especialista em comércio exterior, resume: 'O Brasil perderia duas vezes. Primeiro, com as taxas já aplicadas sobre as exportações para os EUA. Depois, quando um eventual imposto de importação é repassado ao consumidor brasileiro'.

A Lei da Reciprocidade Econômica oferece ferramentas além de tarifas diretas. O Brasil poderia suspender regras internacionais de propriedade intelectual afetando patentes de empresas americanas, impor restrições a serviços prestados por firmas dos EUA, suspender incentivos a investimentos americanos ou revogar benefícios em acordos comerciais. Contudo, qualquer medida exige que haja contrapartidas proporcionais ao dano e que os efeitos sobre a economia brasileira sejam minimizados.

Existe também a preocupação com uma possível escalada de tensões. O próprio documento oficial do governo americano adverte que, caso o Brasil aumente suas tarifas em retaliação, Washington poderá considerar que 25% são insuficientes e elevar ainda mais a alíquota — cenário similar ao vivenciado na disputa comercial entre China e Estados Unidos, que resultou em tarifas superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio bilateral.

Por Redação IA · Hoje no MercadoTexto original desta redação, baseado em apuração de G1.
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